Por Anderson Nascimento
O belíssimo invólucro que embala “São Bonitas as Canções”, CD lançado pela Mills Records que une Marianna Leporace e Sheila Zagury apresentando as parcerias para teatro de Edu Lobo e Chico Buarque, não poderia ser mais cuidadoso.
Ornamentado com reprodução de obras do pintor brasileiro Orlando Teruz, o disco remete a 1999 quando a cantora Marianna Leporace se uniu à pianista Sheila Zagury, com o intuito de montarem um show que reunisse as parcerias musicais para teatro feitas por Edu Lobo e Chico Buarque.
Já em 2000 o trabalho resultou em um disco de sucesso, tanto de crítica quanto de público, que levou as artistas a percorrer um generoso circuito de shows no estado do Rio e também fora dele.
Treze anos depois Marianna e Sheila estão de volta com a adição no show de duas canções do espetáculo “Cambaio”, que ainda não existia na época do lançamento do álbum, e outra boa notícia é que está em andamento o projeto de um DVD comemorativo.
Essa volta é homenageada com uma reedição especial do álbum, lançado agora pela Mills Records em formato digipack e com as canções remasterizadas, em edição que deve ser comprada e guardada com carinho.
Minimalista, já que a maioria das canções trazem apenas piano e voz, o trabalho confirma o talento das artistas em interpretações, tanto vocais e quanto instrumentais, e acaba também funcionando como uma espécie de portfólio da obra de Edu Lobo e Chico Buarque dedicado às canções de teatro.
Falando nesses dois vultos de nossa música, eles aparecem também no CD. Edu surge em “Na Ilha de Lia, No Barco de Rosa” e Chico Buarque em “Tororó”, faixa que ganhou ainda mais importância em seu repertório por figurar também no box “Essencial” (Sony/BMG - 2008), produzido pelo jornalista Rodrigo Faour.
De teatralidade natural – apenas duas canções do álbum não foram feitas integralmente para o palco – o álbum é uma feliz mistura de canções que envolvem os três espetáculos que ganharam repertório de Edu e Chico nos anos oitenta, ou seja, “O grande circo místico”, “O corsário do rei” e “Dança da meia-lua”, um verdadeiro luxo, uma aula de interpretação, que revela o lado mais humano do ser humano.